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MENTE X MATÉRIA, E QUEM É A MÃE DA VERDADE?

ENSAIO FILOSÓFICO ONDE SE QUESTIONA A FONTE PRINCIPAL DA VERDADE ENTRE MENTE E MATÉRIA.

Em consonância com tudo o que dissemos até agora, vamos

1) Questionar a lógica até então utilizada para explicação daquilo que se entende como a realidade existencial do mundo e das coisas. Examinar os elementos da conclusão lógica como sendo um imperativo categórico, ou seja, um posterius extraído apenas do contato direto com a realidade do mundo, desprezando a arrumação psíquica dotada da afetividade que existe, girando no entorno daquilo que se aceitou previamente como verdadeiro.

Tais questionamentos visam introduzir o <aparato mental> como fator imprescindível nos mecanismos de configuração da realidade.

2) Demonstrar que aquilo que se apresenta como realidade para nossos sentidos (ampliados ou não pelos aparelhos inventados pelo gênio humano), representa apenas uma parte ínfima de uma realidade fenomenológica que o ser humano é incapaz de perceber em sua infinitude plena.

O QUE É A VERADE?

“A verdade não é um conjunto de princípios definitivos. É um processo histórico, a passagem de graus inferiores para graus superiores do conhecimento.” [Pulitzer, Idem Pág.30]

Em relação ao problema da verdade, temos as considerações seguintes a serem introduzidas:

1 – A componente mental da verdade;

2 – A componente relacional entre o mundo material e o mundo imaginal;

3 – A Verdade como consequência do fluxo das informações que geram os

     fundamentos e pressupostos balizadores da pesquisa e o consequente   resultado final das conclusões lógicas.

COMPONENTE MENTAL DA VERDADE

           1) No que diz respeito à componente mental da verdade, é preciso que se esteja atento a este fator preponderante, uma vez que não existe nem poderá nunca existir uma verdade, enunciada ou não, que não seja produto mental de alguém que a concebeu. Verdade fora da mente não existe.

A filosofia materialista advoga a primazia da matéria sobre a fenomenologia dos construtos mentais. Nós, porém, por diversos motivos, desconfiamos de que essa certeza advém de uma premissa duvidosa da qual parte a formulação materialista, qual seja a de que o mundo material é a única realidade confiável, da qual tudo o mais são derivativos.  Quem de sã consciência pode provar que a verdade é uma coisa exclusivamente material, quando, além das faculdades de raciocínio, da lógica (daquilo que consume matéria pela atividade cerebral), existe a dúvida ou a certeza de que aquilo que se está concluindo pode ser verdadeiro ou não, uma coisa, portanto, tipicamente não material?

O fato, por exemplo, de alguém se considerar Materialista ou Idealista, é uma coisa que transcende a materialidade do mundo e das coisas existentes nele. É uma questão puramente mental, uma ideia com vida própria dentro da nossa mente, que implica uma complexidade enorme de considerações dentro da fenomenologia do conhecimento humano. No final, a verdade é sempre a resultante dos fluxos de informações introduzidos nos dados de cada pesquisa, como veremos logo em seguida.

Os fluxos de informações são uma resultante daquilo em que se acreditou previamente. É impossível a qualquer um, encontrar alguma coisa, algum resultado, em que não acredite. Encontrar aquilo que não se está procurando, requer um desprendimento tão grande, que eu diria quase impossível ao ser humano. O próprio Einstein, talvez a mente mais brilhante do séc. XX, é uma prova cabal disso. A sua crença de que não poderia existir nada mais veloz do que a luz, fez com que negasse os princípios da física quântica, que estraçalhou de vez os pressupostos e certezas da física clássicas, mostrando “um poder mental” capaz de determinar os resultados das pesquisas, as incertezas em medir simultaneamente localização e velocidade, e comunicação atemporal entre partículas subatômicas. O que o levou a expressar a sua famosa frase: “Deus não joga dados”.

O que acontece realmente é a inversão do lema de São Tomé, em vez de ‘ver para crer’ é, ‘crer para ver’. Existirá sempre uma tendência à comprovação. É por isto que os cientistas materialistas só podem encontrar resultados dentro da sua própria lógica materialista. Qualquer dissonância cognitiva em relação ao resultado daquilo que procuram, faz com que <a mente> encontre uma explicação plausível; uma arrumação psíquica que feche de vez a dissonância. A mesma coisa acontece com o espírito religioso: tende sempre a encontrar resultados de comprovação dentro de sua lógica religiosa.

Ninguém pode fugir do cerco de sua própria mente. É ela o leito de Procusto que enquadra todos dentro de sua própria limitação. A verdadeira liberdade de pensamento, a disponibilidade viva para se beber da água da fonte da sabedoria, pertence a uns poucos; àqueles que se desvencilharam das amarras do pensamento lógico-formal e estão prontos a viver uma solidão incomensurável, advinda de um mergulho nas instâncias do Eu Profundo, única fonte irrefutável de tudo que existe como bem, conhecimento e verdade definitivos.

No final das contas, mesmo que se advogue que a mente é um epifenômeno da matéria, é ela a criatura que se sobrepujou aos ditames da matéria. É ela quem dá a cartada final, quem comanda os mecanismos de criação, de evolução, de apreensão do universo e constatação da verdade. Como é que você, leitor, sabe que eu existo? Como é que você próprio sabe que existe, e sabe que um mundo material existe fora de você? Quem lhe dá a certeza de tudo isso? Você sabe que eu existo pelas informações que saem de mim e chegam até você. São bits de informações, sem os quais a minha existência passaria despercebida para você.

Uma existência sem alguém, sem uma mente que a perceba, torna-se sem sentido. Dois mortos são como duas pedras: não existe um para o outro. A primazia da constatação do existir não pertence ao plano da matéria e sim ao plano mental. É este o plano que se sobrepuja a todos os outros. Nunca se tem contato direto com o mundo material. É isso que se tem que entender. Contatamos apenas com informações vibracionais tais como, vibrações térmicas, sonoras, luminescentes etc., que atestam a existência das coisas. Como as informações levam um tempo para chegarem até nós e mais algum tempo para serem processadas dentro de nosso sistema, nunca tomamos conhecimento das coisas em tempo real, mesmo levando-se em consideração a contiguidade espacial. Quando se refere a distâncias descomunais, como no caso entre galáxias, aquilo que se está vendo como ‘verdade presente’, podem ser informações de planetas, estrelas, corpos celestes que já não existem há milhões e até bilhões de anos, mas que mantêm a informação de uma existência fantasma distanciando-se no espaço/tempo.

Não se pode negar o fato da concretude de alguma coisa que é tida como material, que a ciência, a mecânica, a engenharia etc., manipulam e transformam em bens materiais. Mas pode-se, isto sim, aprofundar os questionamentos e perceber a consistência ilusória perante os nossos sentidos, que o mundo da matéria densa exerce sobre nós. É isso o que veremos adiante.

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Manoel Belo.

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